Marcas que afirmam serem cruelty-free, mas na verdade não são!

13 novembro, 2018

my bunny land

Olá Bunny! Como estás?

Hoje o tema dos post é bem controverso, pois raramente uma marca se afirma anti cruelty-free. Quando questionamos uma marca acerca deste tema, ela rapidamente responderá que não testa em animais. Depois vem aquele blá blá de na União Europeia serem proibidos os testes, como se isso tornasse a marca automaticamente cruelty-free. Mas não te esqueças de uma coisa. Na União Europeia, não há testes, mas há países como a China que os exigem. Mas isso é algo que as marcas "esquecem-se" sempre de referir quando confrontadas com estas questões mais éticas.

E o que acontece quase sempre é que as marcas não testam porque é proibido no espaço europeu, mas comercializam na China onde os testes são obrigatórios. Onde está a coerência disto! Dizem que os direitos dos animais são uma das suas preocupações, mas depois comercializam num país que os requer por lei. Eu chamo a isto ganância, falta transparência para com o consumidor e uma deslealdade enorme pelos animais.

Em baixo, vou falar apenas de algumas marcas que se afirmam como cruelty-free, mas na verdade não o são e o que lhes interessa apenas é encher os bolsos!

1. AVON


A AVON é um grande exemplo da situação que referi em cima. Ela defende-se no seu site, dizendo que não testa em animais desde 1989 e que não solicita que outras entidades o façam.
Em baixo, encontras um pequeno excerto que pode ser lido na integra no site da AVON (aqui).

"Em Junho de 1989, a AVON anunciou que não iria testar produtos em animais e que também não o faria em testes realizados fora dos nossos laboratórios. A AVON foi a primeira grande empresa de cosméticos do mundo a pôr fim aos testes com animais. A AVON tem corroborado de forma independente a segurança dos seus produtos sem testar em animais há mais de 20 anos.

A AVON não solicita nem leva a cabo testes com animais para comprovar a segurança ou eficácia de nenhum dos seus produtos ou ingredientes.
As nossas avaliações de segurança utilizam informação obtida a partir de modelos computacionais, testes in vitro (tubos de ensaio/cultivos de células) e testes clínicos em voluntários, assim como informação já existente.

A legislação de alguns países pode exigir que alguns produtos sejam submetidos a testes extraordinários que podem potencialmente incluir testes em animais, sob a tutela de uma agência do governo ou de saúde. Nestes casos, a AVON tenta persuadir a autoridade requerente para não realizar testes em animais. No caso de esta tentativa não ser bem sucedida, a AVON tem de cumprir a lei do país e submeter os produtos a testes adicionais. Em 2011, isto afetou menos de 0,3% dos produtos AVON."


Ou seja, a AVON não testa, mas admite que as leis de alguns países podem exigir testes extraordinários e que caso a autoridade requerente queira realizar testes, a AVON afirma que tem de cumprir as leis do país em questão. Como a marca vende na China logo não é cruelty-free!

2. ORIFLAME


A Oriflame defende o seu estatuto assim:

"O nosso compromisso para com o ambiente, bem como o nosso respeito pelos materiais e fontes naturais é uma parte muito importante da nossa herança e um pilar da cultura Oriflame. No cerne desta questão está o compromisso da Oriflame para com o bem-estar dos animais" (I'm not so sure...)

Quando questionados sobre a política deles quanto aos teste em animais, pode-se ler no site:

"A Oriflame não conduz ou solicita testes em animais para substanciar a segurança ou eficácia de quaisquer dos seus produtos ou ingredientes em nenhuma das fases do processo de desenvolvimento dos produtos. Contudo, a Oriflame deve cumprir as leis de cada país onde está presente, e alguns países requerem dados obtidos através de testes em animais, de forma a registarem os produtos nesse mercado. Neste caso, nós fornecemos informações completas sobre o registo dos produtos, incluindo uma avaliação totalmente segura, feita de acordo com os requisitos da Diretiva Europeia de Cosméticos. Estas informações devem ser suficientes para que não sejam necessários testes em animais e esforçamo-nos sempre por persuadir as autoridades relevantes a aceitarem as informações fornecidas. Quando tal não é possível, temos que, relutantemente, submeter os produtos a testes adicionais, o que pode incluir testes em animais."

Site Oriflame Chinês 
Ou seja, a Oriflame afirma que não testa em animais nem solicita isso a terceiros, mas como comercializa em países como é o caso da China, em que é por lei exigido esses testes, a Oriflame "relutantemente" (atenção porque é nesta palavra que a Oriflame demonstra o compromisso pelo bem estar animal) é obrigada a submeter os seus produtos a testes.

Meus caros, deixem a relutância de lado e se querem mesmo o bem estar animal ajam em conformidade com isso!

3. YVES ROCHER


A Yves Rocher é outra marca que não é cruelty-free porque comercializa no mercado chinês. No entanto, tornou-se muito complicado obter o seu testemunho porque no site português não faz qualquer referência às políticas da marca em relação aos testes em animais (acreditem que cusquei muito por lá, mas nada!). A marca também não se dispôs a responder ao meu email.

No entanto, na Yves Rocher de França encontrei um pequeno texto onde afirmam não testarem animais. Mas não referem nada quanto aos seus fornecedores e aos mercados onde comercializam a marca. Um declaração que basicamente não diz nada.

"Nous ne testons pas nos produits sur les animaux. La Marque Yves Rocher s'est d'ailleurs engagée très tôt dans la lutte contre les tests sur animaux. Dès 1989, en proposant de manière pionnière de remplacer les tests sur animaux par des méthodes alternatives, Yves Rocher a entraîné dans son sillage de nombreux acteurs de la vie économique. En 1992, la S.P.A. (Société Protectrice des Animaux) nous a d'ailleurs décerné sa Médaille d'Or, en récompense de notre action en faveur des animaux."

4. MARY KAY


A Mary Kay é outra marca que muitas pessoas têm dúvidas. No entanto no site deles afirmam que:


"A Mary Kay está comprometida com a eliminação de testes em animais e é uma forte defensora da utilização de métodos alternativos para comprovar a segurança dos nossos ingredientes e produtos. Na Mary Kay, não realizamos testes em animais nos nossos produtos ou ingredientes, nem pedimos a outras empresas que o façam por nós, excepto quando é exigido por lei. Durante mais de duas décadas, temos sido líder global em ajudar a desenvolver métodos de ensaio alternativos para testar a segurança dos nossos produtos. Este compromisso continua valido nos dias de hoje, em parceria com agencias reguladoras globais que controlam a segurança dos produtos de cosmética, com grupos de defesa animal e com os principais investigadores de alternativas aos testes em animais."

Como se pode perceber a Mary Kay não realiza testes em animais, mas nada pode fazer quando são exigidos por lei. Tal como as outras, esta marca também comercializa na China onde os testes são requeridos por lei. É mais outra marca que se diz preocupada com os animais, mas não se retira desse mercado, porque o dim dim é mais importante.


5. MAC


A Mac é daquelas marcas que muitas mulheres pensam ser cruelty-free, mas que infelizmente perdeu o seu status em 2012 quando decidiu comercializar no mercado chinês. Realmente é uma pena, mas é umas das marcas abolidas aqui no blog.

Para se defenderem afirmam que :

"A M·A·C não faz testes em animais. Não temos nenhum tipo de instalação para realizar testes em animais e nunca pedimos que outros o façam por nós."

Até aqui tudo bem, mas depois encontramos no site deles a seguinte informação:

"Quais países exigem testes em animais?
A China realiza testes em animais como parte da sua avaliação de segurança para produtos cosméticos. Nós amamos nossos fãs e nunca vamos excluí-los, não importa onde estejam."

Retificação: Nós amamos os nosso "lucro" não importa onde esteja!




6. L’Oréal


A L'oréal é daquelas grandes marcas que também não testam, mas que vendem na China. No seu site podemos encontrar facilmente as respostas para as nossas perguntas:

"SE VOCÊS NÃO TESTAM PRODUTOS EM ANIMAIS, POR QUE A L’ORÉAL AINDA ESTÁ NA LISTA DA ASSOCIAÇÃO PETA DE EMPRESAS QUE TESTAM?

A L’Oréal não testa nenhum de seus produtos ou nenhum de seus ingredientes em animais. Contudo, como seus produtos são vendidos na China, a L’Oréal ainda consta da lista da PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais). Na China, as autoridades de saúde ainda exigem e realizam testes em animais para determinados produtos."

"ENTÃO POR QUE VOCÊS AINDA ESTÃO PRESENTES NA CHINA? (Ora que bela questão!)

Por estar presente na China, a L’Oréal pode permitir que a regulamentação evolua. A L’Oréal é a empresa mais ativa a trabalhar com as autoridades chinesas em direção à eliminação total de testes em animais. Consequentemente, a grande maioria dos produtos que vendemos na China não são mais testados em animais."

Só eu fiquei com a ideia de que a L’Oréal quis dizer que "apenas" está na China porque está interessada em mudar a regulamentação e a trabalhar ativamente para o fim dos testes em animais? Enquanto trabalham e não trabalham, a L’Oréal vai enchendo os bolsos naquele mercado. Isso sim.

7. NÍVEA


A Nívea é outra marca que não é cruelty-free porque também vende no mercado chinês. Como pertence à empresa Beiersdorf, fui ao seu site para saber quais são as suas políticas em relação ao testes em animais:

"Os testes com animais foram completamente proibidos para todos os produtos cosméticos na UE desde 2004 e para todos os ingredientes destes produtos, desde 2013. A Beiersdorf, é claro, está em conformidade com esta lei e há muito tempo faz sem testes em animais sempre que possível . Estamos convencidos de que os testes em animais não são necessários para comprovar a segurança e a eficácia de nossos produtos."

Ou seja, quando não é possível a marca admite que não tem como fugir dos testes em animais. Caso tenham curiosidade sempre podem visitar o site na China.



8. NARS


A NARS desde 2017 que perdeu o seu status cruelty-free pois também começou a comercializar na China.
Numa publicação da marca no seu Instagram referem:

"Nós queremos que saibas que nós te ouvimos . A eliminação global de testes em animais precisa acontecer. Acreditamos firmemente que a segurança de produtos e ingredientes pode ser comprovada por métodos que não envolvam animais, mas devemos cumprir as leis locais dos mercados em que operamos, inclusive na China. Decidimos disponibilizar o NARS na China porque achamos importante levar nossa visão de beleza e arte aos fãs da região. O NARS não testa animais ou pede que outros o façam em nosso nome, exceto quando exigido por lei."

Podem ler todo o testemunho (aqui).
Resumindo, a NARS lembrou-se infelizmente de comercializar na China por que acredita ser importante levar a sua visão de beleza aos seus fãs chineses. E o bem estar animal NARS? também não é importante?
Com muita pena minha, foi mais uma marca que perdeu a minha admiração e apoio!

Resumindo:


Como podes ver nem tudo é preto no branco. Todas as marcas vão sempre afirmar-se como cruelty-free porque eticamente caí melhor aos seus consumidores. No entanto, é preciso ver o outro lado das questão. Aquele que nem sempre as marcas gostam de falar e de serem confrontadas. Porque verdade seja dita, não têm muito por onde fugir. Se vendem na China, não há como dar a volta aos testes em animais. É a mais pura das verdades. Mas nem todas as marcas admitem que perdem o seu estatuto cruelty-free quando comercializam em países onde milhares de animais continuam a ser torturados e mortos em laboratórios.

Muitas marcas defendem-se com argumentos de que estão a trabalhar com as autoridades chineses para acabar com os testes em animais, que a sua marca respeita o ambiente e os animais e que colaboram com varias associações nesse sentido, muito para desviar as atenções do consumidor de um único facto que importa aqui: a marca se vende na china e corrobora com esta práticas para ganhar mais uns milhões, não é uma marca que se preocupa com o bem estar animal.
Marcas que se preocupam com o bem estar animal, nunca põe em questão vender nesse mercado pois não concordam com as leis da China, nem vão submeter animais inocentes à pura tortura só para ganhar mais uns milhões!

Pensem nisto e deixem de financiar esta marcas. Porque quer queiramos ou não, o consumidor ao comprar estas marcas está a financiar esta crueldade desnecessária e está indiretamente ligado a estas práticas horríveis.
Não podemos esperar que a marca mude. Tem de ser os consumidores a mudarem , a boicotarem e a pressionarem as marcas para que sejam eticamente conscientes.

Fiz um publicação sobre a verdadeira realidade dos testes em animais em laboratório para terem uma noção daquilo que estão a pagar. São imagens fortes, mas é o que estão a financiar quando compram esta marcas.

Espero que este post tenha sido útil:)
Caso tenham alguma dúvida em relação a uma marca, podem entrar em contacto comigo aqui no blog ou então pelo instagram do blog @mybunnyland.blog
Kiss, kiss*

4 comentários

  1. Para mim seria muito simples: já que tanto defendem os animais então não deveriam vender na China e pronto mas como tudo é dinheiro para eles que se lixe torturar uns animais!

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  2. A tortura de animais devia ser expressamente proibida :/ fico mesmo triste por saber que nada disso acabou ainda... gostei muito do post! beijinhos.

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  3. Fiquei triste pelo fato de minha marca favorita (Nivea) não ser a favor da causa :(

    www.sabiave.com

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  4. bah é verdade!
    eu já tinha ouvido falar nisso... que na China tudo tem que ser testado... aí é da consciência das marcas né... se admitem ser cruelty-free, deveriam deixar de vender em lugares onde o teste é obrigatório por lei!

    xoxo
    Guria do Século Passado

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